Polícia

“Vítima” de sequestro é encontrada dormindo pacificamente após operação montada em Manaus

 A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) prendeu em flagrante em Manaus, na madrugada desta quinta-feira (4), uma dupla por simular um sequestro com o objetivo de extorquir a própria família da vítima. Risatti César Fonseca Soares, de 30 anos, que fingiu ser a vítima, e sua cúmplice, Priscila Siqueira Lucena, de 42, foram autuados pelo crime de extorsão mediante sequestro (art. 159 do Código Penal).

O plano, considerado “inusitado” e “descarado” pelas autoridades, começou na última terça-feira (2). De acordo com as investigações da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Risatti saiu de sua faculdade e deu início à encenação.

Ele cortou contato com a família, que, horas depois, por volta das 3h da madrugada de quarta-feira (3), começou a receber ligações e mensagens via aplicativo informando sobre o suposto sequestro.

Para dar credibilidade ao crime, os criminosos enviaram vídeos nos quais Risatti aparecia amarrado e sendo “torturado”. Nas mensagens, os supostos sequestradores ameaçavam matar o jovem caso a família não pagasse um valor em dinheiro, que seria informado posteriormente.

Ameaçada e desesperada, a família de Risatti procurou a DEHS por volta das 8h da última quarta-feira(04). Diante da gravidade do caso, que foi tratado como um sequestro real, a delegacia mobilizou toda a sua equipe, paralisando outras atividades para dedicar-se exclusivamente ao resgate.

“As equipes passaram a fazer os últimos passos em que a vítima foi vista com vida”, explicou o delegado Ricardo Cunha, titular da DEHS.

Com o apoio da faculdade onde Risatti estuda, os policiais entrevistaram colegas e rastrearam seu paradeiro até localizar o suposto “cativeiro”, um apartamento no bairro Colônia Terra Nova, na Zona Norte de Manaus.

Uma operação foi montada e, por volta da meia-noite de quarta para quinta-, os policiais invadiram o local. Para surpresa de todos, encontraram Risatti dormindo pacificamente. Não havia nenhum sequestrador no local.

Diante das evidências e do comportamento estranho, Risatti confessou o plano à polícia. Segundo ele, a motivação para a farsa foi uma dívida de seu namorado com o tráfico de drogas.

Em um suposto “gesto de amor”, o homem arquitetou a simulação para obter dinheiro da própria família e saldar a dívida do companheiro.

Priscila, identificada como amiga de Risatti, foi sua cúmplice, cedendo seu apartamento para servir de esconderijo e ajudando na articulação das mensagens de extorsão. A família de Risatti, que passou o dia angustiada na delegacia, foi tratada como vítima inocente do esquema.

“Os familiares não tem qualquer culpa, não tem qualquer participação, são mais uma vítima desse indivíduo”, afirmou o delegado.

O casal foi preso em flagrante e conduzido à delegacia para os procedimentos cabíveis. Eles passarão por audiência de custódia, onde um juiz decidirá sobre a situação carcerária de ambos.

As investigações continuam para apurar a possível participação de outras pessoas, incluindo o suposto namorado de Risatti citado em seu depoimento.

A polícia enfatizou que, embora nenhum dinheiro tenha sido efetivamente pago, o crime de extorsão foi consumado com a ameaça e a exigência feita à família

Texto/Fotos: Portal tucumã

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