Rio de Janeiro (RJ) – Uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro revelou uma sala de tortura utilizada pelo Comando Vermelho (CV) dentro de um galpão clandestino localizado em Realengo, na Zona Oeste da capital fluminense. O local, descrito pelos investigadores como “cenário de filme de terror”, contava com isolamento acústico para abafar os gritos das vítimas e uma estrutura especialmente montada para aplicar punições brutais.
Dentro do imóvel, agentes da 58ª Delegacia de Polícia (DP) encontraram uma poltrona de contenção, cordas, um gancho no teto e um tonel que, segundo a investigação, era usado para afogamento — apelidado pela polícia de “tonel da morte”. No galpão também foram apreendidos veículos adulterados, incluindo carros disfarçados de viaturas da Polícia Civil.
As investigações apontam que o espaço era controlado por traficantes ligados à disputa territorial da facção no Catiri, em Bangu. Nas paredes do galpão havia inscrições com siglas do CV, o que pode ajudar a polícia a identificar os responsáveis. Um vídeo obtido pelos agentes mostra detalhes do local e será utilizado como prova no inquérito.
Tortura por vídeo e ordens via aplicativo
De acordo com a Polícia Civil, a descoberta confirma um modus operandi que já vem sendo monitorado: líderes do Comando Vermelho utilizam aplicativos de mensagens para determinar punições, controlar territórios e ordenar execuções em tempo real.
Mensagens interceptadas mostram que criminosos como Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, Juan Breno Ramos, o “BMW”, e Carlos Costa Neves, o “Gadernal” organizam a rotina das comunidades dominadas e decidem até “castigos disciplinares” aplicados em bailes funk. Em alguns casos, mulheres são colocadas em tonéis de gelo após brigas, enquanto outros infratores são arrastados pelas ruas ou executados.
Um dos episódios mais chocantes envolve Aldenir Martins do Monte Júnior, morador de uma comunidade controlada pelo grupo. Ele foi torturado por cerca de sete minutos, algemado, amordaçado e exposto em videochamada para outros criminosos. Aldenir segue desaparecido e a polícia acredita que ele tenha sido assassinado.