O ex-policial militar Ivan Cheley Castro e Costa de Moraes foi condenado a 25 anos e 3 meses de reclusão, além de 97 dias-multa, pelo assassinato do ex-policial civil Santos Clidever de Lima, ocorrido em 2 de março de 2004, em Manaus. A vítima foi morta e enterrada em uma cova rasa.
Cheley era o último integrante de um grupo de extermínio formado por policiais militares, sob comando do então coronel Felipe Arce Rio Branco, conforme denúncia do Ministério Público.
O julgamento ocorreu na última quinta-feira (4). O promotor de Justiça, Thiago de Melo, pediu a condenação do réu pelos crimes de homicídio qualificado mediante pagamento; emprego de tortura; uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima; e com a finalidade de assegurar a ocultação de outro crime.
A defesa sustentou a negativa de autoria, alegando que as provas não seriam suficientes para uma condenação.
Os jurados, no entanto, acataram a acusação e condenaram Cheley pelos crimes de homicídio qualificado (mediante pagamento, impossibilitando a defesa da vítima e para assegurar ocultação de outro crime) e corrupção passiva. A acusação de atuar como informante do tráfico foi rejeitada. Da sentença, cabe apelação.
Além de Cheley, também foram denunciados na mesma ação penal o então traficante Ezequiel de Araújo Melo, o “Keia” – que comandava o tráfico no “Escadão”, no bairro Coroado – e os policiais militares Felipe Arce Rio Branco (coronel), Rodolfo Lemos Soprano, o “Godô”, Luiz Neudson da Silva, Carlos Farias da Silva e Christian Zerbine.
Arce e Godô tiveram a punibilidade extinta em razão da morte. Dos demais, apenas Keia foi condenado; os outros foram absolvidos. Segundo o MP, Keia, que era enteado da vítima, teria pago R$ 12 mil para que os policiais executassem Santos Clidever.
O crime
Santos Clidever foi assassinado em 2 de março de 2004, no Ramal do Toco, quilômetro 28 da BR-174. Reconhecido pela Polícia Federal como traficante internacional de drogas, ele teria ameaçado denunciar a existência de um grupo especializado em tráfico internacional e crimes de extermínio, supostamente comandado pelo coronel Arce.
Na denúncia, o MP relata que Clidever foi sequestrado ao sair de casa, no bairro Coroado, zona Leste de Manaus. Ele foi algemado, colocado em um carro da polícia descaracterizado e levado até o Ramal do Toco, onde foi executado a tiros por Cheley.
O crime foi encomendado por Keia, que admitiu à Polícia Federal ter pago R$ 12 mil para que o ex-policial civil fosse morto, com o objetivo de silenciá-lo e impedir que denunciasse o esquema criminoso.
Fonte: Acrítica