Brasil

Cúpula da COP30 tem início em Belém e reúne líderes de mais de 140 países

Belém (PA) – A Cúpula dos Líderes da COP30 começou oficialmente nesta quinta-feira (6), marcando o início político da conferência climática mais importante do mundo e colocando o Brasil no centro das atenções internacionais. O evento reúne chefes de Estado, ministros e representantes de mais de 140 países para discutir soluções urgentes contra as mudanças climáticas e o futuro da sustentabilidade global.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu a plenária principal com um discurso voltado à preservação da Amazônia e à justiça climática, reforçando o papel dos países em desenvolvimento na proteção dos biomas e na transição energética. Lula destacou ainda que o combate ao aquecimento global precisa ser acompanhado por financiamento justo e ações concretas dos países ricos, principais responsáveis históricos pelas emissões de carbono.

Durante a manhã, as delegações chegaram à chamada “zona azul”, área diplomática e restrita do evento. A sessão de abertura, iniciada às 10h30, contou com a presença de líderes mundiais em uma ordem de fala previamente definida.

Às 13h30, Lula lançou oficialmente o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), uma iniciativa do governo brasileiro para captar recursos voltados à conservação ambiental e ao desenvolvimento sustentável em países com grandes áreas de floresta. O plano inicial prevê aportes de US$ 25 bilhões, sendo US$ 1 bilhão já confirmado pelo Brasil e igual valor prometido pela Indonésia.

Após o lançamento, os líderes participaram de um almoço reservado e, à tarde, de uma sessão temática sobre “Clima, natureza, florestas e oceanos”, seguida da tradicional foto oficial e de um coquetel oferecido pelo presidente Lula, no Centro de Convenções de Belém.

Brasil no centro das negociações

Segundo analistas, a decisão do governo brasileiro de antecipar a cúpula dos líderes antes da abertura oficial da COP30 teve dois objetivos: reduzir a pressão logística em Belém e impulsionar os debates diplomáticos que seguem a partir de domingo (9). A estratégia reforça o plano do Planalto de reposicionar o Brasil como protagonista nas negociações climáticas globais, em meio a um cenário internacional de tensões — como a guerra na Ucrânia, disputas entre Estados Unidos e China e a ausência do presidente americano Donald Trump no evento.

Um dos pontos centrais das discussões é o “mapa Baku–Belém”, um roteiro conjunto entre as presidências das COPs de Baku e Belém que propõe ampliar o volume global de financiamento climático dos atuais US$ 300 bilhões para US$ 1,3 trilhão.

Amazônia como símbolo global

A COP30 segue até 21 de novembro, com foco em quatro eixos principais: transição energética, financiamento climático, proteção de biomas e inclusão social nas políticas ambientais. A escolha de Belém como sede representa o protagonismo da Amazônia nas decisões sobre o futuro climático do planeta e simboliza o papel estratégico do Brasil na construção de um modelo de desenvolvimento sustentável e justo.

Leia também