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EUA anunciam que não participarão da COP30 em Belém, no Pará, e ampliam afastamento de acordos climáticos globais

Brasil – O governo dos Estados Unidos confirmou que não enviará representantes para a COP30, conferência global do clima que será realizada em Belém do Pará, em 2025. A informação foi divulgada pela agência Reuters, com base em fontes da Casa Branca, e marca mais um passo do governo norte-americano no afastamento de negociações multilaterais sobre o clima.

A cúpula, que se estenderá por duas semanas, reunirá líderes mundiais, cientistas e ambientalistas para discutir medidas de combate às mudanças climáticas, com foco especial na proteção da Amazônia e no financiamento de políticas ambientais internacionais. Antes do evento principal, o Brasil sediará uma reunião preparatória de chefes de Estado na próxima semana.

Postura definida por Trump

A ausência dos EUA ocorre em um momento de endurecimento do discurso de Washington contra acordos globais de redução de emissões. Em outubro, o governo ameaçou aplicar sanções e restrições de visto a países que apoiassem uma proposta da Organização Marítima Internacional (OMI) para reduzir emissões no transporte marítimo — o que levou à adiamento da discussão sobre o preço global do carbono no setor.

Segundo a Reuters, o presidente Donald Trump reafirmou, durante discurso na Assembleia-Geral da ONU, em setembro, que considera a teoria das mudanças climáticas “o maior golpe do mundo”. Ele também criticou políticas ambientais internacionais, alegando que “custam fortunas e prejudicam economias nacionais”.

A Casa Branca reforçou que continuará o diálogo energético em bases bilaterais, priorizando acordos que fortaleçam o setor energético norte-americano, sobretudo as exportações de gás natural liquefeito (GNL). Os EUA têm intensificado negociações com Coreia do Sul, União Europeia e China nesse sentido.

Estratégia global sob nova direção

Logo no início do mandato, Trump anunciou a retirada formal dos Estados Unidos do Acordo de Paris, que deve entrar em vigor em janeiro de 2026. O Departamento de Estado também revisa a participação do país em outros pactos ambientais multilaterais, incluindo iniciativas contra a poluição plástica. Segundo o governo, as restrições à produção poderiam afetar a competitividade da indústria norte-americana.

“A maré está mudando”

A decisão norte-americana encontrou apoio em setores empresariais e analistas internacionais. A Casa Branca citou um memorando recente de Bill Gates, no qual o bilionário defende a revisão das prioridades da agenda climática global, afirmando que as mudanças climáticas “não levarão à extinção da humanidade”.

Especialistas alertam, no entanto, que a ausência dos EUA tende a enfraquecer as negociações da COP30, uma vez que o país é um dos maiores emissores de gases do efeito estufa do planeta. Diplomatas temem que a decisão pressione outros países industrializados a adotarem uma postura semelhante.

Apesar das incertezas, o governo brasileiro mantém a expectativa de que a conferência avance em compromissos concretos para a preservação da Amazônia e para o financiamento do desenvolvimento sustentável em países emergentes.

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