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Traficantes do Amazonas estão entre mortos em megaoperação contra o Comando Vermelho no Rio

Rio de Janeiro (RJ) – Traficantes do Amazonas estão entre os mortos na megaoperação policial contra o Comando Vermelho (CV), realizada na terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (31) pelo governador Cláudio Castro e pelo secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, em vídeo publicado no perfil oficial do governo fluminense no Instagram.

Segundo o balanço do Palácio Guanabara, a operação é considerada a mais letal da história do estado, com 119 mortos, 133 presos, 10 menores apreendidos, 118 armas (sendo 91 fuzis) e 14 artefatos explosivos apreendidos. Até a última atualização, sete traficantes do Amazonas foram confirmados entre os mortos — dois deles identificados: Douglas Conceição de Souza, o “Chico Rato”, e Francisco Myller Moreira da Cunha, o “Gringo”. Ambos eram apontados pelo governo do Rio como chefes do tráfico em Manaus e integrantes do Comando Vermelho.

Quem era “Chico Rato”

Com 32 anos, Douglas Conceição de Souza, o “Chico Rato”, acumulava um histórico extenso de crimes em Manaus. Em 2018, foi preso pelo homicídio dos irmãos Isaías dos Santos Rabelo e Hilmes Souza Rabelo Filho, ocorrido em 4 de dezembro de 2017. Um ano depois, foi condenado a 40 anos de prisão por duplo homicídio qualificado.

Mesmo após a condenação, Chico Rato passou ao regime semiaberto, respondendo também por porte ilegal de arma e outro processo por assassinato no bairro Tancredo Neves, em 1.º de agosto de 2017.

De acordo com o então delegado da DEHS, Juan Valério, Chico Rato era o chefe do tráfico no Tancredo Neves e mantinha ligações diretas com o narcotraficante João Branco, um dos fundadores da extinta facção Família do Norte (FDN). Com a aproximação da FDN ao Comando Vermelho, Chico Rato passou a integrar a facção carioca e a ascender dentro de sua hierarquia.

O perfil de “Gringo”

Francisco Myller Moreira da Cunha, o “Gringo”, também de 32 anos, era natural de Eirunepé (AM) e completou aniversário um dia antes da megaoperação. Segundo a Justiça do Amazonas, ele estava foragido desde abril de 2024, quando teve prisão preventiva decretada por homicídio e organização criminosa. Gringo era considerado um dos principais articuladores da facção no interior do Amazonas, com ramificações em municípios da calha do Juruá.

Nomes começam a ser divulgados

A Cúpula da Segurança Pública do Rio de Janeiro iniciou, nesta sexta-feira (31), a divulgação parcial da lista de mortos na operação. O governo informou que a identificação completa deve ser concluída após os resultados dos exames realizados no Instituto Médico Legal (IML). A megaoperação, que contou com o apoio das Forças Armadas, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, teve como alvo lideranças interestaduais do Comando Vermelho que atuavam em diversos estados, incluindo o Amazonas, Pará, Acre e Rondônia.

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