Cidades

Recém-nascidos sofrem queimaduras em hospitais públicos de Manaus e casos levantam denúncias de negligência

Manaus – Casos recentes de queimaduras em recém-nascidos internados em hospitais públicos de Manaus têm gerado revolta entre mães e reacendido o debate sobre a crise na saúde do Amazonas. Os episódios ocorreram em unidades administradas por Organizações Sociais de Saúde (OSS) e levantam dúvidas sobre a qualidade do atendimento oferecido pelo governo estadual.

O primeiro caso aconteceu na Maternidade Balbina Mestrinho, na zona sul da capital. Kethllen, mãe de um bebê internado na sexta-feira (17) com suspeita de gripe, relatou que seu filho sofreu queimaduras nos pés enquanto estava na reanimação, setor onde não é permitido o acompanhamento familiar. “Quando finalmente consegui ver o meu filho, notei que os dois pés estavam queimados. Perguntei o que tinha acontecido, e um médico jogava a culpa no outro. Disseram que um remédio tinha vazado na veia, mas isso é mentira. Eles não estavam cuidando do meu filho”, desabafou a mãe.

Outro caso semelhante ocorreu no Instituto da Mulher Dona Lindu, atualmente chamado Complexo Hospitalar Sul – Padrão Delfina. Segundo relatos de familiares e servidores, uma criança teria se queimado por um bisturi elétrico dentro da unidade. Vídeos nas redes sociais mostram a indignação de pais e mães diante da falta de respostas da direção do hospital.

Ambos os episódios ocorrem em meio a denúncias contra a empresa AGIR, responsável pela administração de unidades como o Hospital 28 de Agosto e o Instituto da Mulher Dona Lindu. Servidores afirmam que, desde a transferência da gestão para a OSS, houve sucateamento das unidades, falta de estrutura e substituição de profissionais experientes por mão de obra mais barata, aumentando a sobrecarga de trabalho e o risco de erros médicos.

“Estão tirando os profissionais que conhecem a rotina das unidades para colocar pessoas sem experiência. O resultado é o caos que estamos vendo: erros, negligência e sofrimento das famílias”, disse um servidor, que pediu anonimato por medo de retaliação.

Diante da gravidade dos casos, a população cobra atuação da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) e do Ministério Público do Estado (MP-AM) para investigar os incidentes e responsabilizar os envolvidos.

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