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Maria Corina Machado recebe Prêmio Nobel da Paz por luta democrática na Venezuela

O Comitê Norueguês do Nobel anunciou nesta sexta-feira a concessão do Prêmio Nobel da Paz à líder da oposição venezuelana Maria Corina Machado, em reconhecimento à sua luta contínua em defesa da democracia e dos direitos civis na Venezuela.

Em comunicado oficial, o comitê destacou o “trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela” e a luta de Machado por uma “transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”. A decisão, segundo o presidente do Comitê, Jørgen Watne Frydnes, visa destacar “os corajosos defensores da liberdade que se levantam e resistem” diante de regimes autoritários.

“Como líder do movimento pela democracia na Venezuela, Maria Corina Machado é um dos exemplos mais extraordinários de coragem civil na América Latina nos últimos tempos”, afirmou Frydnes durante o anúncio em Oslo.

Aos 58 anos, Maria Corina tornou-se o principal símbolo da resistência ao governo de Nicolás Maduro, enfrentando processos judiciais, perseguições e ameaças por parte do regime. Em 2024, venceu as primárias da oposição para concorrer à presidência, mas foi impedida de disputar o pleito após ser inabilitada politicamente. Em seu lugar, passou a apoiar o também opositor Edmundo González Urrutia, que, segundo a oposição e observadores internacionais, foi o verdadeiro vencedor das eleições realizadas em 28 de julho.

Apesar disso, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), acusado de estar sob controle do regime chavista, proclamou Nicolás Maduro como reeleito. O CNE não divulgou as atas eleitorais, alegando ter sido vítima de um ataque hacker. Em resposta, a oposição divulgou documentos obtidos com os escrutinadores, garantindo que González Urrutia obteve a maioria dos votos.

A crise política se intensificou após o resultado. Maria Corina entrou na clandestinidade e foi detida brevemente após participar de uma manifestação contra o governo, na véspera da posse de Maduro, prevista para 10 de janeiro de 2026.

O Prêmio Nobel da Paz, avaliado em 11 milhões de coroas suecas (cerca de 1 milhão de dólares), será entregue oficialmente em Oslo no dia 10 de dezembro — data da morte de Alfred Nobel, criador da premiação. No entanto, o Comitê afirmou que não sabe se Machado poderá comparecer à cerimônia, já que permanece escondida por temer represálias do regime.

O reconhecimento internacional à opositora fortalece a pressão externa sobre o governo venezuelano. Os Estados Unidos e diversos países europeus já declararam apoio a González Urrutia, a quem consideram o presidente eleito legitimamente.

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