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Governo cobra devolução de R$ 478,8 milhões do Auxílio Emergencial pago indevidamente

O Governo Federal iniciou a cobrança da devolução de R$ 478,8 milhões pagos indevidamente durante o período do Auxílio Emergencial, benefício criado para mitigar os impactos econômicos da pandemia de Covid-19. Ao todo, cerca de 177,4 mil famílias estão sendo notificadas por não se enquadrarem nas regras de elegibilidade do programa.

As notificações começaram a ser enviadas em março de 2025 e estão sendo encaminhadas por SMS, WhatsApp, e-mail e pelo aplicativo Notifica, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). O foco da cobrança está em casos com valores mais altos ou com maior capacidade de pagamento, conforme estabelece o Decreto nº 10.990/2022.

Quem deve devolver os valores

Devem restituir o dinheiro os beneficiários que, à época do recebimento, não atendiam aos critérios do programa, incluindo:

  • Pessoas com vínculo formal de trabalho;
  • Quem já recebia benefícios previdenciários;
  • Famílias com renda acima do limite permitido;
  • Casos de pagamento indevido detectados por cruzamento de dados federais.

Quem está isento

Estão isentas da devolução as famílias em situação de vulnerabilidade social, entre elas:

  • Beneficiários do Bolsa Família;
  • Inscritos no Cadastro Único (CadÚnico);
  • Quem recebeu menos de R$ 1.800 no total do auxílio;
  • Famílias com renda per capita de até dois salários mínimos;
  • Ou com renda familiar total de até três salários mínimos.

Como fazer a devolução

A restituição deve ser feita pelo sistema Vejae, utilizando a plataforma PagTesouro, com opções de pagamento por PIX, cartão de crédito ou boleto bancário (GRU).

Segundo Érica Feitosa, diretora do Departamento de Auxílios Descontinuados do MDS, o prazo para quitação do débito é de 60 dias após o recebimento da notificação, com possibilidade de parcelamento em até 60 vezes, sem juros ou multa. A parcela mínima é de R$ 50.

“O sistema garante o direito de defesa, permitindo que o cidadão apresente recurso caso discorde da cobrança. É importante que todos acessem a plataforma e verifiquem sua situação”, afirmou a diretora.

O que acontece se não pagar

Quem não regularizar a situação dentro do prazo poderá ter o nome:

  • Inscrito na Dívida Ativa da União;
  • Incluído no Cadin (Cadastro Informativo de Créditos não Quitados);
  • E ainda poderá sofrer negativação em órgãos de proteção ao crédito.

Estados com mais notificações

Os estados com maior número de famílias notificadas são:

  • São Paulo: 55,2 mil famílias;
  • Minas Gerais: 21,1 mil;
  • Rio de Janeiro: 13,2 mil;
  • Paraná: 13,2 mil.

As notificações continuam sendo enviadas em todo o país, com prioridade para casos de maior valor ou irregularidade comprovada. O governo reforça que o objetivo é recuperar recursos públicos pagos de forma indevida, sem prejudicar famílias em situação de vulnerabilidade, que permanecem isentas da cobrança.

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