Cultura

No Bumbódromo, Garantido exalta a ancestralidade indígena e Caprichoso faz apelo pela retomada cultural na abertura do Festival de Parintins 2025

A primeira noite do 58º Festival Folclórico de Parintins, realizada nesta sexta-feira (27), emocionou o público com os espetáculos grandiosos de Garantido e Caprichoso. Com arena lotada e milhares de torcedores apaixonados, os bumbás apresentaram enredos que exaltaram a identidade amazônica, os povos originários e a resistência cultural.

O evento, um dos maiores do país, segue até domingo (29), e deve atrair mais de 120 mil visitantes à Ilha Tupinambarana, reafirmando a força da cultura popular do Norte do Brasil.
Garantido: celebração à origem e aos povos da floresta

O Boi Garantido foi o responsável por abrir o festival em 2025. Com forte presença cênica e enredo voltado à ancestralidade indígena, o bumbá vermelho e branco exaltou a diversidade étnica da Amazônia e suas tradições culturais.

A apresentação teve início com a tradicional contagem puxada por Israel Paulain, direto da galera encarnada. Em seguida, o boi surgiu sobre uma serpente gigante, elemento que marcou a evolução do item boi-bumbá na arena. A vaqueirada complementou a cena com vigor, ampliando o impacto visual.

A noite também foi marcada pela estreia de Jeveny Mendonça como porta-estandarte, que encantou com sua leveza e performance diante dos jurados. Outro momento de destaque foi a transformação da cunhã-poranga Isabelle Nogueira — ex-BBB — em uma onça, como parte da encenação da lenda indígena Tapyra’yawara, trazendo à arena a força mítica de figuras da floresta.

O espetáculo ainda prestou homenagem à advogada Eunice Paiva, símbolo de luta por justiça e memória histórica no país.


Caprichoso: resistência e espiritualidade em defesa da retomada

Na sequência, o Boi Caprichoso fez sua entrada triunfal com um impacto visual marcante. Suspensos por guindaste, o levantador de toadas Patrick Araújo e o apresentador Edmundo Oram surgiram ao lado do boi azul, arrancando aplausos da galera.

Durante a apresentação, Patrick manteve a tradição de cantar descalço no Bumbódromo, enquanto o amo Caetano Medeiros estreou à frente da vaqueirada. A cunhã-poranga Marciele Albuquerque também se destacou, surgindo de uma alegoria de mais de 30 metros e representando um gavião, antes de evoluir ao lado do pajé Erik Beltrão em um ato de forte simbolismo.

Um dos momentos mais emblemáticos da noite foi o apelo pela demarcação da terra indígena Tupinambá. A cena envolveu representantes originários e a exibição do Manto Tupinambá do século 21, unindo arte, política e espiritualidade em uma só narrativa.


Próximas apresentações

Neste sábado (28), o Caprichoso abre a segunda noite com um enredo que aborda o sofrimento da população negra e a luta contra o apagamento cultural. Já o Garantido encerra a noite reafirmando sua trajetória ligada à fé, ao povo simples e à resistência popular.

Cada boi tem até 2h30 para se apresentar. Durante a evolução de um, a galera do rival deve manter silêncio absoluto — sob risco de penalidades.

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